Colômbia e a escolha do Saab Gripen E/F como futuro caça da Força Aeroespacial: dúvidas e certezas

Conforme já havia sido antecipado pela Zona Militar durante a feira LAAD 2025 no Brasil, autoridades do Ministério da Defesa e das Forças Armadas da Colômbia realizaram uma coletiva de imprensa após a confirmação da escolha do Saab Gripen E/F para equipar a Força Aeroespacial Colombiana (FAC). A coletiva ocorreu ontem, poucas horas depois de o próprio presidente, Gustavo Petro, anunciar em sua conta no “X”, no dia 2 de abril, a assinatura de uma Carta de Intenção com a Suécia para a aquisição das novas aeronaves de combate.

A coletiva de imprensa foi liderada pelo Ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Arnulfo Sánchez S., acompanhado pelo Comandante Geral das Forças Militares da Colômbia, Almirante Francisco Hernando Cubides Granados, e pela embaixadora da Suécia, Helena Storm.

Ao longo dos respectivos discursos, tanto o Ministro da Defesa quanto o Chefe das Forças Militares da Colômbia destacaram a escolha do Gripen E/F como um novo passo rumo à modernização das Forças Armadas Colombianas. Nas palavras do Almirante Cubides Granados, o alto comando informou que foi definido o CONPES 3048, o qual estabeleceu um orçamento específico para a remoção de obsolescência e o aprimoramento das capacidades do Exército Nacional, da Marinha Nacional e da Força Aeroespacial.

Nesse último aspecto, o CONPES prevê a renovação da frota de combate da FAC, cuja principal plataforma é composta pelos aviões IAI Kfir, que acumulam décadas de serviço e que, caso não fosse definido um substituto, corriam o risco de serem retirados de operação sem reposição.

No entanto, várias questões ainda não foram detalhadas, presumivelmente à espera da assinatura do contrato que oficialize a escolha do Gripen como o futuro caça de combate da Colômbia.

Em primeiro lugar, permanece indefinido o número total de aeronaves a serem adquiridas para substituir os Kfir. Diversas fontes indicam que pode se tratar de um lote entre 16 e 24 aviões Gripen E/F.

Em segundo lugar, considerando que a Colômbia se tornaria o segundo operador internacional do Gripen E/F —modelo atualmente em processo de incorporação pela Força Aérea Brasileira—, resta saber se a Embraer, responsável pela fabricação de componentes e montagem de aeronaves em suas instalações em Gavião Peixoto, participará da produção do pedido colombiano ou se, ao contrário, este será totalmente fabricado na planta da Saab localizada na cidade de Linköping.

Este não é um detalhe menor, já que o Brasil tem feito grandes esforços para contar com diversas instalações de suporte à produção do Gripen, bem como para apoiar a fabricação do seu próprio pedido e de possíveis novos operadores regionais. Isso é evidenciado pela produção local de vários componentes e seções do caça de origem sueca, como a seção frontal da fuselagem, o cone de cauda e os freios aerodinâmicos, que são fabricados na linha inaugurada em maio de 2023.

Além disso, deve-se destacar —conforme os anúncios feitos durante a coletiva de imprensa— a compensação industrial que a Colômbia poderá receber ao adquirir aeronaves que serão “totalmente novas”, garantindo que a FAC mantenha uma plataforma de combate pelos próximos 35 anos. Durante o anúncio, foi mencionado que a aquisição terá “elementos muito impactantes em termos sociais, ambientais e de desenvolvimento do país”, surgidos do acordo de compensação (offset) que será alcançado com a Suécia e com a Saab, segundo afirmou o Ministro da Defesa colombiano.

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