1º caso de infecção por fungo resistente no Brasil: o que se sabe e o que falta saber


Paciente é um homem de 40 anos que apresentou micose persistente, depois de viagens pela Europa, que não foi curada por tratamentos realizados. Dermatologista comenta descoberta do 1º caso de fungo resistente no Brasil
O primeiro registro brasileiro de infecção pelo fungo Trichophyton indotineae, que é resistente a tratamentos médicos, foi feito em Piracicaba (SP). O paciente de 40 anos tem histórico de viagens por vários países europeus. 📝Veja, em perguntas e respostas, o que se sabe e falta saber sobre o caso.
Quando e onde o paciente foi infectado?
Como o diagnóstico foi feito?
Como o paciente está de saúde?
Qual o tratamento possível?
Como pode ser transmitido?
O fungo pode levar à morte?
Quais países já registraram casos de infecção pelo fungo?
Quando e onde o paciente foi infectado?
O Brasil registrou o primeiro caso de infecção pelo fungo Trichophyton indotineae, que apresenta resistência a tratamentos médicos. O registro foi feito em Piracicaba, no interior de São Paulo, em um paciente de 40 anos que veio da Europa. A informação foi publicada em artigo na revista científica Anais Brasileiros de Dermatologia.
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Como o diagnóstico foi feito?
O primeiro caso brasileiro foi atendido pela dermatologista Renata Diniz. O paciente é brasileiro e mora em Londres, na Inglaterra, mas também tinha realizado viagens para Inglaterra, Áustria, Eslováquia, Hungria, Polônia, Escócia e Turquia. O diagnóstico em Piracicaba ocorreu quando ele veio visitar a família.
O quadro era de uma micose persistente na região dos glúteos, da perna, com manchas vermelhas que descamam e coçam, e que não respondiam ao tratamento realizado até então.
“Logo na primeira consulta eu já estranhei, porque era um paciente jovem, com muitas lesões grandes, disseminadas, e que não tinha respondido a tratamentos fúngicos que a gente usa de forma corriqueira. Então, ele já me acendeu um alerta, e aí optei por mudar o tratamento”, relata a médica.
Mancha vermelha na perna de paciente diagnosticado no Brasil
Veasey et al., 2025/Anais Brasileiros de Dermatologia
Como o paciente está de saúde?
Segundo a dermatologista, o paciente respondeu com o tratamento mas, logo que ele terminou de tratar, voltaram as lesões”, relata a médica.
Diante da dificuldade para chegar a uma cura, ela fez contato com o dermatologista John Verrinder Veasey, um dos autores da pesquisa e coordenador do Departamento de Micologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que sugeriu a pesquisa pelo Trichophyton indotineae.
Os médicos acionaram um laboratório especializado do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da Universidade de São Paulo (USP) para a análise, que confirmou o diagnóstico.
Exames micológicos de Trichophyton indotineae
Veasey et al., 2025/Anais Brasileiros de Dermatologia
O fungo pode levar à morte?⚠️
Segundo a dermatologista que atendeu o caso, o principal alerta é em relação à resistência ao tratamento, pois ele não é um fungo que tem um potencial de risco à vida. A médica observa que não é possível utilizar antifúngicos previsto no tratamento de maneira contínua pela possibilidade de efeitos colaterais.
“Ele é um fungo que se desenvolve na pele, não espalha para dentro do corpo, não vai levar a uma deterioração além das lesões cutâneas. O grande problema dele é que essa questão da resistência ao tratamento. De forma geral, ele apresenta essa resistência ao principal antifúngico que a gente usa e ele responde a um outro antifúngico. Mas ele volta a crescer quando para de tratar”, explica a profissional.
Qual o tratamento possível? 💊🩺
A médica também explica que, além do uso de antifúngico, o tratamento passa por fortalecer a imunidade do paciente e adaptações na rotina dele, como no controle da umidade no local, já que os fungos se propagam com a umidade.
Um dos impactos pode ocorrer na qualidade de vida do paciente, de acordo a profissional. “Ele tem um impacto do ponto de vista social, de relações, pela transmissão. Porque tendo um fungo que não tem um tratamento efetivo garantido, existe esse perigo de transmitir para cada vez mais pessoas um fungo para o qual, por enquanto, não se tem tratamento”, afirma.
Como pode ser transmitido? 🧑‍🤝‍🧑
A dermatologista explica que as principais formas de transmissão são pelo contato com outras pessoas ou objetos usados por elas.
“Por exemplo, eu tenho fungo nas mãos, eu lavo a minha mão numa toalha, você vai e lava a sua mão depois na mesma toalha […] Ou pele com pele. É por contato”, alerta.
Como fazer a prevenção? 🛡️
Sobre a prevenção, a profissional diz que são necessários cuidados com a higiene, como no uso de toalhas. Ela também aponta a importância do diagnóstico precoce. “Então, viu ali uma manchinha vermelha que coça, procura o dermatologista”.
“Uma coisa é você estar dentro de casa, saber que tá todo mundo ali saudável, mas não usar toalhas em locais públicos. Tem sempre um cuidado de onde você está em contato, áreas de maior risco. Fala-se muito de piscinas, sobre os cuidados de vestiário, que são ambientes úmidos, quentes, e que muitas pessoas circulam”.
Quais países já registraram casos de infecção pelo fungo?
O primeiro relato sobre o fungo ocorreu na Índia, mas ele já circula pela Europa, Ásia e América. No entanto, poucos casos foram relatados até o momento, principalmente devido à identificação incorreta e subnotificação, segundo pesquisadores.
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