Aena implanta 10 data centers com Trusted Data

A Aena, maior operadora aeroportuária do mundo em número de passageiros, implementou novos mini data centers em 10 aeroportos brasileiros, localizados em três estados, com a Trusted Data, integradora paulista de projetos de centros de dados.

Os terminais incluídos no projeto são os de Montes Claros, Uberlândia e Uberaba, em Minas Gerais; Santarém, Marabá, Altamira e Carajás, no Pará; Ponta Porã, Corumbá e Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. 

A Aena assumiu a concessão desses aeroportos no final de 2023, quando se deparou com infraestruturas inexistentes ou num estado de conservação considerado inadequado. 

“Nós temos salas em que o ar-condicionado sequer existia. Em outras, ele não funcionava. Tínhamos ambientes em que o rack estava dentro de uma copa”, revela Lucas Picão, gerente de infraestrutura de TI da Aena.

Com este cenário, a necessidade era de data centers que possibilitassem o monitoramento e ter uma unidade autônoma de refrigeração de ar-condicionado, com sustentação de energia elétrica por nobreak em caso de queda.

“A gente não tinha nada disso. A infraestrutura estava bastante deteriorada e precisávamos de um start rápido, com uma infra mais segura e atual. Que, no futuro, pudesse dar uma certa mobilidade para movimentá-la”, conta Emerson Thomazini, diretor de TI da Aena.

Como a operadora já tinha planos de fazer obras nos terminais, precisava primeiro estabilizar a operação para, depois, fazer toda a revitalização e expansão sem prejudicar o funcionamento dos aeroportos. 

A empresa resolveu trazer, então, todos os equipamentos para dentro de um rack autônomo, ou seja, que tem todos os facilities embarcados na solução, com monitoramento, controle de acesso, ar-condicionado e sistema de combate a incêndio.

“Ele tem uma série de proteções e pode ser acomodado numa área do aeroporto que não possua todos esses facilities. Eu posso colocar ele ali no meio do saguão, a obra vai estar acontecendo ao lado e o funcionamento da minha operação está garantido”, detalha Picão. 

Após participar da concorrência, a Trusted Data foi contratada para desenvolver o design, implementação, manutenção e monitoramento 24/7 dos 10 data centers pelos próximos seis anos.

Esse tempo pode ser expandido, pois os ambientes chamados de Smart Edge Micro Data Centers (MDC) são projetados para funcionar por cerca de 15 anos.

A implementação começou em fevereiro de 2024 e foi até outubro, quando começou a fase de sustentação.

Hoje, a Trusted Data opera com um Centro de Operações de Rede (NOC, na sigla em inglês) que possui as informações do que acontece em todos os sites e replica isso para a Aena em tempo real.

“Existe um centro de monitoramento que está olhando para todas essas estruturas de 10 aeroportos. Então qualquer incidente é detectado previamente. Muitas das vezes, antes mesmo de nós ficarmos sabendo, o time da Trusted já está atuando na resolução, seja de forma remota na alocação de um profissional em loco”, conta Picão.

Para a Trusted Data, o maior desafio do projeto é garantir que esse equipamento esteja funcionando em terminais muito distantes com a primazia como se estivesse em São Paulo.

MAS POR QUE UM  DATA CENTER EM CADA AEROPORTO?

Em cada um dos 10 terminais, a Aena optou por uma implantação mínima de equipamentos e sistemas para que a operação aconteça de forma autônoma.

“Se a gente tem qualquer tipo de incidente que, eventualmente, eu perca toda e qualquer conectividade com o mundo externo, eu preciso ter dentro de cada aeroporto o mínimo de funcionalidades para que a operação não pare, para que eu não tenha impacto em todo o ecossistema”, explica Picão.

Nesses novos data centers, estão o sistema de informativo de voo, bem como a infraestrutura de rede que as companhias aéreas usam nos balcões de check-in e nas catracas de embarque.

Neles, também ficam todos os sistemas de backoffice usados no aeroporto, como ERP e sistemas de RH, além dos softwares de operação aeroportuária, que possuem integrações com companhias aéreas e torre, enviando as informações para os sistemas de informativo de voo.

Ainda estão na infraestrutura os sistemas de radiocomunicação usados em toda a operação, toda a rede de Wi-Fi, todas as soluções de telefonia e a camada de segurança da informação.

“É lógico que é um datacenter menor, quando comparado com um maior como Congonhas, Recife, mas ele tem a sua autonomia e pode operar num cenário de crise sem depender de qualquer solução que esteja no mundo externo até que a gente resolva o incidente e volte a operar de uma forma não degradada”, ressalta Picão.

Além dos data centers locais, a operadora também mantém outras soluções hospedadas em outras infraestruturas que fazem um trabalho de nuvem privada para todos os seus aeroportos.

“Agora as obras estão por começar e a gente preparou a operação na disciplina de tecnologia para que ela possa passar por toda a fase de obra com o menor risco para a operação. A solução continua conversando com todas as premissas e os riscos que tínhamos mapeado estão mitigados”, atualiza Picão.

No Brasil desde 2020, a Aena possui a maior rede de aeroportos concedidos do país. A empresa administra 17 terminais em nove estados, responsáveis por cerca de 20% do tráfego aéreo nacional. 

Além dos 10 do projeto, estão sob sua responsabilidade Congonhas, Recife, Maceió, João Pessoa, Aracaju, Juazeiro do Norte e Campina Grande.

A companhia faz parte da espanhola Aena, maior operadora aeroportuária do mundo em números de passageiros, responsável pela gestão de 46 aeroportos e dois heliportos. Também detém 51% do Londres-Luton e atua no México (12 terminais) e Jamaica (2).

Já Trusted Data é sediada em Campinas e entrega projetos de data centers em toda a América Latina.

Nos últimos anos, a empresa entregou grandes infraestruturas para Taesa, no Rio de Janeiro, e o data center paulista 4Edge, além de projetos pontuais em grandes companhias do setor como Ascenty e Scala.

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