Tarifas de Trump: especialistas classificam como “negativo” para os mercados

Trump, pelo jeito, deve voltar ГѓВ  presidГѓВЄncia

O presidente americano Donald Trump, em um gesto de força comercial e política, anunciou oficialmente uma nova tabela de tarifas sobre produtos importados. A medida, chamada por ele de “princípio de reciprocidade”, estabelece alíquotas definitivas e não negociáveis para produtos estrangeiros, com base na carga tributária que esses países impõem aos produtos americanos.

As tarifas mínimas foram fixadas em 10% para todos os países, enquanto algumas nações foram alvo de percentuais significativamente mais altos. A China, por exemplo, que segundo o governo norte-americano cobra 67% de tarifas sobre produtos dos EUA, será agora taxada em 34%. Já a União Europeia terá tarifa de 19% sobre seus produtos, contra os 39% cobrados por ela dos americanos. O Brasil, por sua vez, ficou com a alíquota mínima de 10%.

Para o mercado, o anúncio não apenas confirma uma guinada protecionista como também elimina qualquer margem para negociação, o que acirra ainda mais as incertezas no cenário global.

Reação dos mercados às tarifas

A resposta dos mercados foi imediata. As bolsas globais passaram a operar no campo negativo, em meio à leitura de que a nova política tarifária dos EUA pode ter consequências profundas na atividade econômica global. O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, avalia que os efeitos da medida já começaram a ser precificados.

Tivemos um mix de tarifa única com reciprocidade, mas com alíquotas acima do esperado e sem margem de negociação. A leitura é negativa para os mercados, por conta do risco de retaliações e da desaceleração econômica nos EUA”, afirmou.

William também destaca que a medida pode pressionar as margens das empresas — especialmente aquelas com receita internacional significativa — além de gerar um cenário de estagflação: crescimento fraco combinado com elevação de preços.

Vemos um cenário de estagflação se desenhando. As empresas devem enfrentar aumento de custos, o que reduz margens de lucro, enquanto o consumo é pressionado pela inflação. O impacto pode ser severo sobre empresas expostas ao comércio global.”

As tarifas e os impacto sobre o Brasil

Apesar do tom geral negativo, o Brasil aparece como um dos países menos prejudicados pela nova política americana. O CEO da AMW, Celson Plácio, avalia que o país ficou dentro da cota mínima e, por isso, pode até se beneficiar em setores pontuais, como o agro e parte da indústria leve.

Pro Brasil, eu diria que foi até positivo, dentro do que poderia ter sido. Ficamos na tarifa mínima de 10%, e nossa tarifa média sobre produtos dos EUA é de 12%, o que nos coloca em situação menos desequilibrada que outros”, destacou Celson.

Por outro lado, ele ressalta que o efeito global da medida é claramente negativo e rompe com dinâmicas importantes do comércio internacional. Segundo ele, o maior problema está no aumento da insegurança e na possível retração da demanda mundial, que afeta o Brasil de forma indireta, via exportações.

O problema é a ruptura. As tarifas foram muito mais altas do que o esperado para países como Vietnã e Camboja. E isso pode provocar uma freada nas cadeias globais de suprimento e nos fluxos comerciais, o que atinge todo mundo”, completou.

Aversão a risco e queda nos futuros dos EUA

Os efeitos práticos da medida já são visíveis também no desempenho dos contratos futuros. Ainda segundo Celson, os índices futuros dos EUA operam em queda forte, refletindo a aversão a risco por parte dos investidores.

Os mercados já estavam sensíveis, com receios de inflação e desaceleração. Agora, com essas tarifas elevadas e definitivas, a cautela aumentou. Os futuros estão em forte queda, e o cenário é de tensão”, avaliou.

Além disso, Trump declarou que não pretende negociar as tarifas com os países afetados, o que endurece ainda mais o clima entre as potências comerciais. O receio de retaliações por parte da China, União Europeia e outros parceiros comerciais aumenta a incerteza quanto ao futuro das exportações americanas — e também do comércio global como um todo.

Riscos sistêmicos: inflação, desaceleração e quebra de acordos

Analistas alertam que a adoção de tarifas em larga escala e o abandono do diálogo entre nações podem provocar uma nova onda de conflitos comerciais, com efeitos colaterais semelhantes aos observados em guerras tarifárias anteriores.

Essas medidas mexem não só com preços e cadeias logísticas, mas também com a confiança dos empresários e dos consumidores. O efeito pode ser uma retração sincronizada das principais economias globais”, conclui William Castro Alves.

Leia mais notícias e análises clicando aqui

O post Tarifas de Trump: especialistas classificam como “negativo” para os mercados apareceu primeiro em BM&C NEWS.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.