Vem, Oscar? Saiba quais as novas apostas do Brasil para premiações em 2026

Após o feito histórico de “Ainda Estou Aqui”, com a conquista de um Oscar de melhor filme internacional e de um Globo de Ouro de melhor atriz, para Fernanda Torres, a próxima temporada de premiações promete ser positiva mais uma vez para o Brasil, a começar pelo Festival de Cannes, que acontece em maio.

Na avaliação do crítico Vitor Búrigo, o país está “muito bem representado”, e a primeira aposta é “Agente Secreto”, filme de Kleber Mendonça Filho, protagonizado por Wagner Moura. O longa acompanha a mudança de um homem de São Paulo para Recife, em 1977, tentando fugir de um passado violento e misterioso, com a intenção de começar uma nova vida.

Kleber Mendonça já é “sócio de carteirinha de Cannes”, brinca Vitor, uma vez que o cineasta frequenta o festival desde quando atuava como jornalista. “Depois, praticamente todos os seus filmes passaram no Festival de Cannes —pelo menos os três últimos passaram em lugar de honra, sendo que ‘Bacurau’ foi premiado”, relembra ele no Plano Geral desta quarta-feira.

Agora, está esse burburinho de que ‘O Agente Secreto’ pode ser o representante brasileiro na disputa pela Palma de Ouro. Acho que tem tudo para isso acontecer, porque, segundo fofocas e relatos confirmados, ‘O Agente Secreto’ estreia em agosto — Vitor Búrigo

A jornalista Flávia Guerra concorda que o Brasil tem “sérias chances”. “Espero que Kleber consiga terminar o filme até o festival. Ele já filmou há algum tempo, e tem Wagner Moura, que é um ator amado”, afirmou ela também no Plano Geral.

Outro nome forte para a disputa é Karim Ainouz, veterano no festival, que estreia “Rosebushpruning”. “Ele já disse que este é um projeto diferente de tudo o que ele já fez”, disse Flávia Guerra. “O que mais me animou é que ele é livremente inspirado em ‘De Punhos Cerrados’. Acho que tem tudo para entrar [na lista de indicados], ele é ‘cria’ de Cannes”. No filme original de 1965, um jovem com epilepsia planeja os assassinatos de sua família disfuncional.

Flávia ainda cita “Leite em Pó”, longa de Carlos Segundo, uma coprodução da França estrelada por Vinícius de Oliveira e ainda sem sinopse. “A França costuma prestigiar casos assim, e o Carlos já concorreu à Palma de Ouro pelo curta ‘Sideral’. Pode ser que o longa esteja no festival”, disse. “Mas em geral entra primeiro na Un Certain Regard [mostra paralela à seleção oficial]”.

‘Documentários brasileiros são dos mais complexos do mundo’

A 30ª edição do festival internacional de documentários É Tudo Verdade começa nesta semana, em São Paulo e no Rio de Janeiro. “Alcançar 30 edições confirma que aquela aposta minha foi vitoriosa”, afirma Amir Labaki, criador do evento em entrevista ao Plano Geral. “Sabia que havia uma tradição de documentários no Brasil muito forte”.

Segundo o jornalista e curador, o festival “deu certo” porque existe uma produção nacional e internacional “muito estável e forte” —embora ela ainda enfrenta batalhas. “A função do É Tudo Verdade é trazer para a tela grande o melhor das novas safras brasileira e internacional. Apresentando para as pessoas. 30 anos depois, essa batalha continua a ser a mesma, mas o documentário está mais perto das pessoas”.

Amir ainda defende que o Brasil tem uma coleção de alguns dos documentários mais complexos do mundo. “A barra é alta”, diz. “Temos vários retratos com o modelo narrativo diferente, e acho legal constatar que os brasileiros têm feito isso. O documentário brasileiro tem essa tradição de renovar a linguagem”.

Nesses 30 anos, confirmei viajando pelos festivais do mundo que o documentário brasileiro é dos mais ricos, complexos e sofisticados do mundo — Amir Labaki

Para esta 30ª edição, Amir diz que é “inegável que há um mal-estar no ar”. “O documentário reflete mais rapidamente isso do que a ficção”, diz. “É um espelho. O mundo não está bem e é natural percebermos isso na seleção de filmes. Você percebe que existe uma presença muito forte de filmes sobre autoritarismo e autocracia”.

Algo que distingue esses filmes é que os retratos são mais inovadores do que os que, em geral, temos tido acesso, por exemplo, nos streamings — Amir Labaki

Diretor ‘enfrenta’ Mario de Andrade em novo filme

Em cartaz nos cinemas brasileiros, “O Turista Aprendiz” é uma livre adaptação do diário de viagem de Mário de Andrade. A obra nasceu durante sua viagem do artista pelo rio Amazonas, em 1927, que rendeu o livro póstumo de 1976 que dá nome ao filme.

Filmado em estúdio, o filme tem ares cinematográficos e teatrais, avalia Flavia Guerra. “Ele é aberto a essa proposta e muito interessante, porque é muito um cinema de autor”, disse. “O diretor está disposto a entrar na cabeça de Mário”.

Murilo Salles, quem assina a obra, diz que um dos filmes mais importantes para sua formação foi justamente “Macunaíma”, principal obra do autor. “Mário sempre esteve ali, olhando para mim e eu olhando para ele. Até que, agora, resolvi enfrentá-lo”, diz.

Para o diretor, “O Turista Aprendiz” é um filme de época que traz uma “atualização” de Mário de Andrade e do mito de Macunaíma. “Tem uma revisitação ao Mário naquela aristocracia paulista, que só falava francês, e de Mário refém de opções sexuais que ele não assumia —e grande demais para o que ele era realmente”, disse.

Fiquei cinco anos conversando com Mário, e essa conversa redundou esse filme. Para quem quer ter uma ‘geral’ sobre Mário de Andrade, este é um prato cheio — Murilo Salles

Apresentado por Flavia Guerra e Vitor Búrigo, Plano Geral é exibido às quartas-feiras, às 11h, no canal de Splash no YouTube e na home do UOL, com as principais notícias sobre cinema e streaming. Você pode ainda ouvi-lo no Spotify, Apple Podcasts e Google Podcasts.

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