Americanas aposta em marketplace físico

As Lojas Americanas implementaram um projeto-piloto de marketplace físico em parceria com sellers — empresas que vendem produtos diferentes dos oferecidos pela varejista — com o intuito de reforçar a venda de seus produtos na loja.

Desde março, o teste do formato já ocorre em duas unidades do estado do Rio de Janeiro, em Nova Iguaçu e Duque de Caxias. Nelas, a companhia colocou quiosques de vendedores de capas, películas e serviços de reparo em celulares, aproveitando a venda dos aparelhos que é feita no local.

A empresa também aproveitou para trazer para dentro das lojas os serviços financeiros que eram disponibilizados pela Ame Digital, sua fintech descontinuada em setembro, além de oferecer crédito e produtos com garantia estendida.

O próximo passo é estender o projeto para os segmentos de maquiagem e decoração, uma vez que a varejista já comercializa itens desses setores. Até o final do ano, a meta é disponibilizar o novo formato em até 100 unidades pelo país.

A nova aposta da companhia tem a ver com a queda das vendas on-line, que diminuíram 87,59% em quase dois anos — de R$ 24,74 bilhões em 2022 para R$ 3,09 bilhões em 2024. Já as vendas em lojas físicas aumentaram 11,9% em 2024.

Em entrevista ao site Neofeed, Camille Faria, CFO da Americanas, afirmou que a empresa avançou na oferta de diferentes produtos de higiene e beleza, limpeza e itens para casa, além de manter a grande variedade de doces.

Faria disse que, desde o incremento dos produtos desses segmentos, houve um aumento de 30% nas vendas dessas categorias em detrimento das vendas de eletrodomésticos, televisores e notebooks, que possuem margens menores.

A Americanas pretende continuar com o digital, mas entende que o marketplace físico é uma oportunidade para realizar uma convergência na oferta dos produtos consumidos na Americanas.com e nas lojas físicas.

Atualmente, a Americanas possui 1,6 mil unidades e estima 50 milhões de clientes em mais de 800 cidades brasileiras.

Com as constantes crises enfrentadas pela varejista, como o escândalo das fraudes fiscais e as quedas sucessivas na receita, a companhia também está rearranjando suas lojas. 

Em 2024, foram fechadas 92 unidades e, segundo a executiva, há possibilidade de mais encerramentos em 2025, dependendo das oportunidades e dos resultados.

Em recuperação judicial desde o início de 2023, a Americanas registrou prejuízo líquido de R$ 586 milhões no quarto trimestre de 2024.

Nos últimos 12 meses, as ações da Americanas registraram uma queda de 95,92% na B3, mas tiveram uma valorização acumulada de 4,7% no ano.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.