Membros brasileiros criticam Academia americana por reação à prisão de diretor palestino na Cisjordânia


Hamdan Ballal ganhou Oscar pelo documentário ‘Sem Chão’. Ele foi preso por militares após sofrer ataque de colonos israelenses. Hamdan Ballal é libertado da prisão na Cisjordânia após ser detido pelas forças israelenses, em 25 de março de 2025
AP Photo/Leo Correa
Cineastas brasileiros assinaram uma carta com cerca de 600 membros que critica a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas por sua reação fraca à prisão do diretor palestino Hamdan Ballal, que venceu o Oscar 2025 pelo documentário “Sem chão” no começo de março, de acordo com o site Deadline.
Entre os brasileiros que se juntaram à iniciativa estão Alice Braga, Rodrigo Teixeira, Anna Muylaert, Petra Costa e Daniel Rezende.
O cineasta palestino e vencedor do Oscar Hamdan Ballal, detido após ser espancado por colonos judeus, foi liberado da prisão por Israel nesta terça-feira (25), afirmou um dos codiretores no filme Yuval Abraham.
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Abraham, jornalista israelense, codirigiu com Ballal o documentário “Sem Chão”, premiado com o Oscar de melhor documentário neste ano. Veja detalhes mais abaixo.
“Hamdan Ballal está livre e prestes a ir para a casa com sua família”, disse. Abraham.
Na segunda-feira (24), Abraham afirmou que Hamdan Ballal foi espancado por colonos judeus na Cisjordânia e depois detido por soldados de Israel. O Exército israelense confirmou a prisão, alegando que ele lançou pedras contra os colonos judeus.
Tentativa de roubo de ovelhas
Hamdan Ballal passa por exames após ser libertado da prisão na Cisjordânia, em 25 de março de 2025
AP Photo/Leo Correa
Segundo o prefeito de Susiya, cidade na Cisjordânia, a agressão contra Ballal começou após colonos judeus tentarem roubar ovelhas de casas palestinas.
Ballal estava participando de um encontro pelo fim do jejum diário do Ramadã quando o grupo atacou a reunião. Segundo a agência de notícias Associated Press, testemunhas disseram que o grupo tinha de 10 a 20 colonos mascarados que usaram pedras e bastões no ataque.
“Colonos invadiram casas, atiraram pedras, quebraram janelas e veículos e agrediram violentamente moradores e ativistas de solidariedade. Várias pessoas ficaram feridas”, disse o ativista palestino Ihab Hassan, uma das testemunhas do ataque, na rede social X.
Após o ataque, Ballal foi algemado e vendado a noite toda em uma base do Exército, enquanto dois soldados o espancavam no chão, disse sua advogada, Leah Tsemel.
As Forças Armadas de Israel confirmaram a prisão de Ballal e afirmaram que ele estava entre os palestinos que arremessavam pedras contra colonos judeus. Mas o Exército negou que o cineasta foi retirado à força de uma ambulância, onde estava para tratar ferimentos do linchamento.
Segundo o codiretor Yuval Abraham, Ballal tinha ferimentos na cabeça e na barriga e estava sangrando.
Retomada das tensões
Vídeo mostra momento de ataque contra vencedor do Oscar, diz jornalista
Desde o início do ano, após a assinatura de uma trégua já encerrada entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, conflitos têm emergido na Cisjordânia.
As forças israelenses vêm conduzindo uma grande operação na Cisjordânia, alegando ter como alvo grupos terroristas e extremistas. Dezenas de milhares de palestinos foram forçados a deixar suas casas em campos de refugiados, enquanto residências e infraestrutura foram destruídas.
Pela primeira vez em mais de 20 anos, Israel mandou tanques de guerra para o território, na cidade de Jenin, no fim de janeiro.
Em fevereiro, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que ordenou que seus militares se preparem para uma “estadia prolongada” em partes da Cisjordânia, enquanto intensifica “operações contra grupos terroristas e extremistas”.
Atualmente, existem mais de 140 assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, que abrigam 450 mil israelenses. A presença deles é condenada pela comunidade internacional.
Apesar de ser considerado um território palestino, Israel detém o controle militar da Cisjordânia. Palestinos que habitam o território estão sujeitos à lei militar israelense. Isso quer dizer que palestinos residentes na Cisjordânia podem ser julgados por tribunais militares de Israel.
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O documentário
Hamdan Ballal (à esquerda) ergue estatueta do Oscar em Los Angeles, em 2 de março de 2025
Mike Blake/Reuters
“Sem Chão” retrata a luta dos moradores de Masafer Yatta para impedir que o Exército israelense demolisse suas vilas. O filme tem dois diretores palestinos, Ballal e Basel Adra, e dois diretores israelenses, Yuval Abraham e Rachel Szor.
O Exército israelense designou Masafer Yatta como uma zona de treinamento militar de fogo real nos anos 1980 e ordenou a expulsão dos moradores, majoritariamente árabes beduínos.
Cerca de 1.000 habitantes ainda permanecem na área, mas os soldados frequentemente entram na região para demolir casas, tendas, reservatórios de água e plantações de oliveiras. Os palestinos temem que uma expulsão total possa acontecer a qualquer momento.
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