Médico denunciado por violação sexual, Dr Heron foi o 2º vereador mais votado de 2020 em Lages

O ginecologista Heron Costa Anderson de Souza, denunciado pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) por violação sexual de 11 mulheres, foi vereador de Lages, na Serra catarinense, entre 2021 e 2024. Como político, ficou conhecido na cidade como Dr Heron.

Dr Heron foi o segundo vereador mais votado de Lages

Ex-vereador de Lages, Dr Heron foi denunciado por abusar de 11 mulheres – Foto: Reprodução/Câmara de Lages/ND

Candidato pelo PSD (Partido Social Democrático) nas eleições de 2020, o médico foi o segundo mais votado do município e, com 61 anos à época, tornou-se o mais velho daquela legislatura a assumir uma cadeira na Câmara de Lages. Heron recebeu 2.206 votos, o equivalente a 2,71%. O vereador mais votado foi Jair Junior (Podemos) que teve 2.763 dos votos (3,40%).

Dr Heron foi o segundo vereador mais votado

O médico de Lages usava o nome político de Dr. Heron para concorrer às eleições. Ele chegou a ser pré-candidato a prefeitura de Lages pelo União Brasil, mas, no fim, a sigla optou por Lio Marin como postulante ao Executivo municipal.

Após a escolha de Marin como o concorrente à prefeitura, Heron se afastou do partido e filiou-se ao PRD (Partido Renovação Democrática), tornando-se o primeiro membro do partido na Câmara de Lages.

Médico de Lages foi o segundo vereador mais votado do município

Dr Heron foi o segundo vereador mais votado de Lages nas eleições de 2020 – Foto: Câmara Municipal de Lages/Reprodução/ND

MPSC pediu a prisão preventiva do ginecologista

O médico foi denunciado pelo MPSC, no início de março, por ter supostamente violado sexualmente 11 mulheres entre 2013 e 2024 — em parte desse período, o médico já exercia mandato como vereador. Caso a Justiça atenda a denúncia, além de ter que responder criminalmente, Dr Heron pode ter a sua prisão preventiva decretada.

Ainda, no dia 19 de março, o CFM (Conselho Federal de Medicina), afastou o médico. A decisão de Interdição Cautelar Parcial é assinada pelo presidente do Conselho, José Hiran Gallo, e impede o médico de “atender pacientes do sexo feminino” pelo período de seis meses.

Justiça pode decretar a prisão preventiva de médico de Lages – Foto: Divulgação/ND

À reportagem do ND Mais, a defesa do ginecologista disse ter “certeza que tudo será esclarecido e a verdade será restabelecida”. Para o advogado Diego Rossi Moretti, o médico seguiu uma conduta normal nos atendimentos ginecológicos. “As mulheres podem ter interpretado talvez de forma equivocada”, alega.

“O delegado investigou o caso, ouviu profissionais técnicos e optou por não indiciar o médico. Ao entender da defesa, trata-se de uma conduta respaldada pelos manuais da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia)”, afirmou o advogado.

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