Alta da SELIC e seu impacto para companhias e investidores

A recente alta da taxa SELIC para 11,25% marca um novo ponto de inflexão no cenário econômico brasileiro, com implicações diretas na renda fixa, fundos imobiliários, ações e na forma como investidores e empresas listadas no mercado de capitais precisam se posicionar. Mais do que um movimento de ajuste, essa elevação traz uma série de consequências para a economia e, principalmente, para o seu bolso. 

Vamos destrinchar o porquê disso, os efeitos sobre os principais ativos financeiros e o que as empresas podem fazer para manter o interesse dos investidores.

Por que a SELIC está subindo?

O Banco Central tem como uma de suas missões principais manter a estabilidade do poder de compra da moeda, controlando a inflação. Em momentos em que a inflação se mostra acima das metas projetadas, o Banco Central se vê pressionado a aumentar a taxa SELIC para conter o consumo excessivo, reduzir o crédito, e, por consequência, estabilizar os preços. Neste caso, a recente elevação reflete preocupações com a inflação, mesmo após um período de cortes graduais, e um cenário macroeconômico que está trazendo projeções de inflação mais elevadas para os próximos anos.

Impacto da alta da SELIC em ações e Fundos Imobiliários

A alta da taxa SELIC influencia o apetite dos investidores por diferentes classes de ativos. Para investidores que buscam rentabilidade sem se expor a grandes riscos, a renda fixa torna-se atrativa, uma vez que a rentabilidade dessas aplicações acompanha a taxa de juros. Assim, ações e fundos imobiliários tendem a perder um pouco de apelo, pois ambos carregam riscos que se tornam menos compensadores quando comparados a investimentos de renda fixa mais seguros e rentáveis. Esse movimento gera uma desvalorização natural das ações e dos fundos imobiliários, pois o fluxo de capital migra para alternativas mais seguras e previsíveis.

Renda fixa versus renda variável: a perspectiva dos investidores

A alta dos juros muitas vezes provoca uma reação previsível: investidores avessos ao risco tendem a migrar seus recursos para renda fixa, buscando rentabilidades seguras e atrativas. Para esses investidores, a mensagem é clara: a renda fixa oferece segurança e retorno competitivo. Porém, investidores que adotam uma visão de longo prazo podem enxergar nas ações e fundos imobiliários uma oportunidade de compra enquanto os preços estão baixos. As empresas listadas podem, portanto, direcionar sua comunicação para ambas as perspectivas:

  • Para o investidor conservador: reforce a segurança dos ativos e a perspectiva de rendimentos sólidos no longo prazo.
  • Para o investidor arrojado: explique como o cenário atual pode representar uma oportunidade de compra de ações descontadas, com potencial de valorização futura conforme os juros voltem a um patamar mais baixo.

O papel do Banco Central e as projeções econômicas

O Boletim Focus do Banco Central projeta uma redução da taxa SELIC ao longo dos próximos anos, caso a inflação se estabilize e a economia recupere seu ritmo de crescimento. Esse dado aponta para uma retomada de preços mais altos para ativos de risco a médio prazo, o que oferece uma janela de oportunidade para os investidores de longo prazo. Para as companhias listadas, estar em sintonia com essas projeções e preparar seus negócios para um cenário de juros futuros mais baixos pode ser uma estratégia inteligente.

Para companhias e profissionais: como manter o interesse dos investidores?

Para as empresas listadas em bolsa, esse contexto é desafiador, mas também representa uma oportunidade de reforçar sua narrativa junto aos investidores. É essencial que as companhias sejam transparentes em relação aos impactos da alta dos juros em seus negócios e apresentem uma visão de longo prazo para quem está disposto a seguir investindo em ações. Isso pode incluir:

  1. Comunicação transparente sobre estratégias de mitigação de riscos: empresas que atuam em setores mais sensíveis aos juros, como construção civil e consumo, podem destacar suas estratégias para reduzir o impacto do aumento de custos e preservar suas margens. Estratégias de hedging e gestão de caixa, por exemplo, demonstram solidez e preparo frente ao cenário adverso.
  2. Adoção de narrativas de valorização a longo prazo: para o investidor que busca aproveitar a baixa momentânea dos preços das ações, é crucial que as companhias reforcem o valor de seus negócios e perspectivas de crescimento em um horizonte de médio a longo prazo. Empresas que destacam seus diferenciais competitivos e potencial de geração de valor têm maiores chances de manter investidores de perfil mais arrojado e otimista.
  3. Demonstração de sólidos fundamentos financeiros: em períodos de incerteza, companhias que possuem balanços fortes, baixa alavancagem e capacidade de gerar caixa consistentemente atraem a confiança dos investidores. Destacar esses fundamentos em relatórios e apresentações trimestrais pode ser um diferencial.
  4. Atenção ao Dividend Yield: muitas empresas de capital aberto, especialmente as blue chips, adotam políticas de distribuição de dividendos que se tornam atrativas em contextos de juros altos. Empresas que demonstram um histórico sólido de pagamento de dividendos podem atrair investidores que buscam uma renda recorrente, especialmente em setores como energia elétrica, saneamento e bancos.

Dessa forma, mesmo em um cenário desafiador, a alta da SELIC pode representar uma oportunidade tanto para investidores atentos quanto para empresas que buscam fortalecer sua posição e oferecer valor no longo prazo. É preciso mais do que números; é necessário construir uma narrativa clara e confiável, alinhada às expectativas dos investidores e às melhores práticas de governança corporativa.

É nesse contexto que a MZ se destaca, oferecendo às empresas e equipes de RI as ferramentas e estratégias de comunicação necessárias para enfrentar os desafios do mercado com confiança e transparência. Com nossa expertise em soluções tecnológicas e na criação de estratégias de comunicação eficazes, ajudamos empresas a fortalecerem sua relação com o mercado, potencializando o valor percebido por investidores e stakeholders. Afinal, em um cenário cada vez mais dinâmico, estar preparado é essencial para se manter competitivo e gerar valor sustentável. Para saber mais sobre nossos serviços, acesse nosso site.

*Cássio Rufino é CFO & COO da MZ, empresa líder em soluções para relações com investidores. Graduado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, possui pós-graduação em Finanças Corporativas pelo Insper e MBA Executivo em Finanças pela mesma instituição. É especialista em comunicação financeira e criador do método dos 3Cs, que já ajudou dezenas de RIs a gerar mais valor e aumento de liquidez para suas companhias.

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