Solidão tem impacto significativo na qualidade do envelhecimento

Reflexões sobre o processo natural de envelhecimento e os fatores que influenciam esta fase da vida. As questões foram discutidas na segunda (31), durante a última aula de março do Grupo de Envelhecimento Ativo da Santa Casa de Maceió. O encontro foi realizado no Centro de Estudos Prof. Lourival de Melo Mota.

Iniciando a palestra com a frase “Envelhecer é inevitável, mas envelhecer bem é possível!”, a psicóloga da instituição, Liliana Fábia, abordou como o envelhecimento é um fenômeno natural e destacou os fatores que interferem nesse processo, sejam eles externos, como as condições sociais e ambientais, ou internos, como aspectos psicológicos, genéticos e eventos de saúde.

“Muitos podem não saber, mas existem três diferentes tipos de envelhecimento: o comprometido, marcado por hábitos prejudiciais ao longo da vida; o acidental, vivido sem planejamento nem grandes riscos; e o planejado, baseado no acúmulo de um “capital de saúde”, ou seja, estratégias adotadas para preservar a qualidade de vida na velhice”, disse Liliana.

Durante a conversa, um dos aspectos enfatizados foi a importância do capital social, ou seja, a capacidade de interação social de uma pessoa. Estudos indicam que a solidão tem um impacto negativo significativo na saúde dos idosos, contribuindo para a redução da longevidade. Quando perguntados sobre seus maiores medos em relação ao envelhecimento, a maioria dos participantes mencionou o receio de se tornarem dependentes de outras pessoas. Esse medo levou a uma reflexão sobre a qualidade das relações construídas ao longo da vida.

Outro ponto abordado foi o idadismo, termo utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para se referir ao preconceito contra os idosos. “Apesar do crescimento da população idosa, a sociedade ainda não está plenamente adaptada para incluí-los e respeitá-los, resultando na exclusão de muitos desses indivíduos”, ressaltou a psicóloga. Esse cenário faz com que alguns idosos se retraiam e deixem de frequentar espaços públicos, o que pode levar a um agravamento de problemas de saúde.

Em contrapartida, Liliana Fabia trouxe exemplos inspiradores de protagonismo na terceira idade, mostrando que os idosos estão cada vez mais ocupando espaços antes limitados aos jovens. Foram citados casos de pessoas que praticam esportes como natação e canoagem, ou que se tornaram DJs para criar ambientes de lazer voltados para seu próprio público.

A palestra também abordou um tema específico para as mulheres: a menopausa. “Alterações hormonais podem trazer uma série de desafios físicos e emocionais, como insônia, depressão, ansiedade e aumento do risco cardíaco, e a falta de suporte adequado faz com que muitas mulheres enfrentem essas mudanças sozinhas” destacou a psicóloga.

Liliana Fabia encerrou a aula com um questionamento: “O que você quer ser quando envelhecer?”. A frase reforçou a ideia central da palestra de que o envelhecimento é um processo natural, mas a forma como ele acontece depende das escolhas feitas ao longo da vida. Com planejamento, autocuidado e bons relacionamentos, é possível viver essa fase com qualidade, autonomia e felicidade.

O projeto conta com o apoio da Divisão de Ensino e Pesquisa e tem a participação de médicos de várias especialidades, além de farmacêuticos, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e assistentes sociais, que se revezam em aulas informativas que abrangem orientações sobre saúde e alimentação, sexualidade, tecnologia, direitos sociais entre outros.

 

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